O século XX ficou marcado por um grande desenvolvimento
da tecnologia no campo das ciências da vida e da saúde,
processo que culminou com a desarmonia entre os novos
implementos e potencialidades da pesquisa e os interesses
do homem. Esse descompasso que suscitou diversas
discussões em torno dos limites éticos das conquistas
científicas é o tema de estudo de Juliana Araújo em
Direito, ética e biossegurança.
O objetivo central deste lançamento da Editora Unesp é
discutir a obrigação do Estado na proteção do genoma
humano, considerando as distintas f... [Leia mais]
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O século XX ficou marcado por um grande desenvolvimento
da tecnologia no campo das ciências da vida e da saúde,
processo que culminou com a desarmonia entre os novos
implementos e potencialidades da pesquisa e os interesses
do homem. Esse descompasso que suscitou diversas
discussões em torno dos limites éticos das conquistas
científicas é o tema de estudo de Juliana Araújo em
Direito, ética e biossegurança.
O objetivo central deste lançamento da Editora Unesp é
discutir a obrigação do Estado na proteção do genoma
humano, considerando as distintas formas de manipulação
genética com destaque para as técnicas de alteração do
código genético humano e de clonagem humana (reprodutiva
e terapêutica). A autora busca na Constituição Federal as
normas que fundamentam essa obrigação do Estado. Para
assim, contextualizar as técnicas da clonagem humana
dentro do ordenamento jurídico.
Neste contexto, surgem conceitos como "bioética", que
abrange os limites éticos dos avanços da ciência (sem
cerceá-lo); "biodireito" intrínseco à normatização dos
novos procedimentos e técnicas em interferência direta
com a vida e a saúde humana; "biossegurança" inerente a
segurança dos novos procedimentos e técnicas com relação
a vida existente no planeta.
Direito, ética e biossegurança também ressalta a
importância da participação da sociedade civil na tomada
de decisões sobre a manipulação do genoma humano, como
pressuposto para a própria legitimidade das medidas
políticas e legislativas a serem tomadas pelo Estado. É
papel da sociedade discutir os rumos (benefícios e
malefícios) da ciência, que cada vez mais interfere nos
rumos da própria humanidade. Nesse sentido é
imprescindível a atuação do direito e da ética como
instâncias legitimas para exercer alguma influência no
futuro do conhecimento cientifico.
Juliana Araújo Lemos da Silva
Machado é mestre em Direito pela Universidade Estadual
Paulista "Júlio de Mesquita Filho", campus de Franca.
Defensora Pública do Estado de São Paulo e membro do
Núcleo de Estudos de Direito Alternativo (Neda) da Unesp
de Franca.
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