Descrição
Considerando a energia como “o problema do Antropoceno”, Daggett propõe neste livro uma “genealogia da energia” como ideia científica e política. Embora a autora analise a história antiga da energia, bem como alguns desenvolvimentos no século XX, seu foco principal está no século XIX, em particular no período após a década de 1840, que testemunhou o surgimento da ciência da termodinâmica. É a influência mútua entre a ciência e os discursos industrialistas e imperialistas que lhe interessa particularmente. […] A contribuição de Daggett não se limita a uma conexão entre a ciência da energia e o pensamento econômico. Seu argumento principal diz respeito sobretudo ao pensamento político e às ideologias. Baseando-se na análise de Max Weber sobre a “ética protestante do trabalho”, Daggett explica que o século XIX testemunhou o surgimento de uma “geoteologia da energia” que combinava uma certa forma de protestantismo — que buscava no trabalho e no esforço um sinal de eleição — com as leis da termodinâmica. A Terra caminha irremediavelmente para sua morte termodinâmica — os raios solares cessarão algum dia —, de modo que os seres humanos têm a missão de melhorar seu ambiente e trabalhar para combater, ou pelo menos retardar, a dissipação de energia. Especialmente na Grã-Bretanha vitoriana, a religião já visava definir o trabalho como um pilar central da vida política, social e econômica. A ciência da termodinâmica, afirma Daggett, forneceu ferramentas, indicadores e justificativas científicas para esse projeto.
— Antoine Missemer
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Uma genealogia da energia sugere que energia e trabalho (no sentido de trabalho humano assalariado em nome da produtividade) podem ser desvinculados para fins de uma política ecológica. Ao fazê-lo, poderemos inaugurar novos tempos e espaços conceituais e materiais nos quais práticas energéticas verdadeiramente alternativas consigam proliferar. […] Sem que as práticas dominantes de trabalho e lazer e o alto valor atribuído pela economia neoliberal ao trabalho assalariado produtivo sejam contestados, a extirpação das culturas de combustíveis fósseis permanecerá uma tarefa difícil. […] Se a energia permanecer intimamente ligada ao trabalho produtivo e a ética de trabalho continuar inconteste — uma ética que se aplica não só ao trabalho humano, mas também aos combustíveis, às tecnologias e aos não humanos que são postos para trabalhar para os humanos —, então qualquer ameaça de diminuição no consumo da energia será automaticamente pintada como algo sombrio, ascético e limitante, mesmo que acompanhada de vitalidade e esperança. […] Em vez de conclamar os indivíduos a economizar, poupar, medir e reduzir o uso da energia, uma política energética pós-trabalho convoca à liberação da energia.
— Cara New Daggett
Tradução de Humberto do Amaral
Dados Técnicos
Páginas: 368
Peso: 470g
ISBN: 9786560081192