Descrição
O titulo deste livro constitui urna sintese do que tem sido os dezassete lustres da vida de Adriano Moreira. De facto, a simbiose entre o nome intervencao e o adjectivo humanista retrata fielmente um percurso trilhado pelas sendas da justica e pelas vias do direito e percorrido no respeito pela dignidade de cada pessoa. O nome intervencao poe em evidencia a accao de Adriano Moreira, pois, quando a vida lhe recusa circunstancias favoraveis, longe de desistir ou de se refugiar no mundo teorico, continua atento a vida, as realidades de cada conjuntura e procura contornar os ventos contrarios de forma a fazer bolinar a nau das suas ideias que, raras vezes se alguma, se revelam inexequiveis. O qualificativo humanista, na sua componente axiologica, serve para caracterizar uma vida que tem sido, como Manuel Patricio afirma no prefacio, um ceu estrelado de actos — as unicas accoes humanas consentaneas com o estatuto ontologico deste Homem. SUMARIO Prefacio Introducao Capitulo I: Contextualizacao Capitulo II: O pensamento e a obra cientifica de Adriano Moreira Capitulo III: A Accao Legislativa Capitulo IV: Os Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa Capitulo V: A Accao Pos-exilio Notula Final Anexos Bibliografia PREFACIO Uma Nacao deve saber honrar os seus filhos maiores. Maiores sao os filhos que, pela sua vida e obra, dignificaram e engrandeceram a Nacao. Acima destes so os filhos magnos: aqueles que dignificaram, honraram e engrandeceram a Patria. A Nacao e uma entidade cujas raizes sao, ainda, de ordem material. Acima se coloca a Patria, entidade cuja substancia e de ordem espiritual. A famosa definicao de Patria que nos deixou Fernando Pessoa coloca-nos de um golpe no hiper-mundo do espirito: "Minha Patria e a Lingua Portuguesa". Foi Fernando Pessoa, de toda a evidencia, um portugues magno. Cabe-me a honra de prefaciar este livro que o Doutor Jose Pinto em boa hora pensou e escreveu sobre um portugues maior, que foi tambem, e e - e sobretudo e -, um portugues magno: Adriano Moreira. Tem este livro a objectividade propria da ciencia. Mas tem ele tambem a subjectividade propria da axiologia. A ciencia olha e mira o que e. A axiologia olha, mira e admira o que e valioso, o que vale. Tudo e miravel, nem tudo e admiravel. A admiracao exprime nao apenas o acto de ver o que e como e, mas acima disso o acto-movimento de aproximacao ao que e visto e se apresenta como digno de admiracao. Este livro da-nos a ver Adriano Moreira no que tem sido uma vida prodigiosamente rica, inteligente e benevolente. Precisamente por isso, este livro conduz-nos para a propria pessoa do mirado, que afinal e mirando, que afinal se impoe a nossa admiracao. Queremos estar perto dele, junto dele. Nos o admiramos. Nascido dez anos depois do Professor Adriano Moreira, e sempre mais afastado do grande palco onde se foi representando o drama colectivo da Nacao, pude ainda assim seguir com atencao o itinerario luminoso da sua vida. Nisso fui desde o inicio ajudado por conterraneos transmontanos seus e colegas meus da Universidade de Lisboa, ao tempo em que foi Director do ISEU (Instituto Superior de Estudos Ultramarinos). Segui com ansiosa expectativa a sua passagem pelo Ministerio do Ultramar, onde se jogava - como hoje e obsidiantemente evidente -o futuro de todos nos, os da CPLP. Fui ouvindo com crescente esperanca e entusiasmo os seus discursos de Ministro, pelos quais perpassava e nos quais latejava uma visao diferente do problema ultramarino e da organizacao politica do Estado, no sentido do paradigma da sociedade aberta teorizada por Karl Popper. Foi sempre fraterno, generoso, descompri-mido e descompressor o pensamento de Adriano Moreira. E o discurso. E a pratica. E a pratica. Este homem nunca foi um homem de palavras. De palavras vas, quero dizer. Este homem foi sempre, e-o quotidianamente, um homem de palavra. Ora a palavra nao se opoe a accao. A palavra e, ao inves, a accao primordial, a raiz da accao. E e por isso que ele e - foi sempre - um homem de accao. Melhor dizendo, um homem de acto. Personalista medular, aplica-se a Adriano Moreira o entendimento que Max Scheler nos deixou da pessoa: A pessoa e centro de actos, ser pessoa e ser centro de actos. De facto - e na linha do que Andre Malraux deixou escrito em A Condicao Humana - a accao humana verdadeiramente a altura do estatuto ontologico do homem e o acto. A vida de Adriano Moreira coloca a nossa frente um areal imenso de accoes, mas essa areia e de ouro fino, essas accoes sao actos. Adriano Moreira e o centro - a fonte latente -de onde esses actos emanam. Os homens maiores podem ter uma vida recheada de accoes. So os homens magnos fazem da sua vida um ceu estrelado de actos. Essa e a vida de Adriano Moreira. Politico, academico, publicista, cidadao - cidadao portugues, cidadao lusofono, cidadao do mundo -, e o Professor Adriano Moreira para todos nos um exemplo, um estimulo, uma responsabilidade. Os exemplos sao para seguir, nao para citar. Os estimulos sao para responder, nao para pontuar o sono. As responsabilidades sao para assumir, nao para ornar moralitariamente os discursos. O autor deste livro segue o exemplo, responde ao estimulo, assume a responsabilidade representada por esta laudatio. A mesma e a postura das eminentes personalidades que douram a imagem ja intrinsecamente aurea de Adriano Moreira. O que eu sinto, nesta hora historica adversa a Patria, e perigosa para a Humanidade, e que constitui sem duvida um sinal de esperanca e um incentivo para o futuro que ainda haja seres humanos, e portugueses, de tao alto quilate. A eles estamos, e ao apelo solene que a sua pessoa nos faz - escrevo-o com todo o peso das palavras -, inapelavelmente obrigados. PROF. DOUTOR MANUEL FERREIRA PATRICIO Professor Catedratico e Reitor Aposentado da Universidade de Evora
Dados Técnicos
Peso: 1060g
ISBN: 9789724032528