Ira e tempo, livro de Peter Sloterdijk

Ira e tempo


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Descrição
Tradução de Marco Casanova

No primeiro verso da Ilíada, marco primordial da cultura Ocidental, temos a palavra “ira”. No mundo grego, ela corresponde a trazer infortúnio – e portanto é valorizada, pois prenuncia os heróis. O que sucedeu para que relativamente pouco tempo depois a ira só fosse admitida em pouquíssimas situações? Como se desenvolve nas culturas tardias uma primeira expressão de justiça enquanto compensação para a “ira divina”? Através de que mecanismos os movimentos revolucionários da época moderna e do século XX se apresentam como um “banco mundial da ira”?

Uma característica inconfundível do pensamento e da escrita de Peter Sloterdijk é a inserção de questões de atualidade numa perspectiva de longa duração histórica. Assim ele concebe de forma original a atual condição humana, põe em evidência fundamentos inauditos e tece conexões inesperadas. Ele estabelece, nesse ensaio tão intelectualmente irreverente, a ira como um fator político-psicológico que move os acontecimentos desde o início da civilização até nossos tempos tão marcados por exacerbações políticas e exaltações terroristas — a ira como motor de processos históricos.

Mas como enfrentar o retorno da ira no início deste novo século? Sloterdijk já adianta uma resposta: “A grande política só acontece na forma de ações de equilíbrio. Exercer equilíbrio significa não esquivar os combates necessários e não provocar lutas supérfluas.” Significa também não dar por perdida a peleja contra as degenerescências políticas, a destruição do meio ambiente e a desmoralização generalizada”.

Trechos

“De fato, a palavra-chave ‘vingança’, que atravessa a dedução nietzschiana da moral dominante a partir de reflexos escravos, também pode ser aplicada, depois de algumas modificações insignificantes, aos movimentos mais ativos do ressentimento dos séculos XIX e XX — e sua atualidade não se esgota com essas referências. Segundo tudo aquilo que se sabe hoje sobre as coisas que estão surgindo, é preciso supor que mesmo a primeira metade do século XXI venha a ser marcada por imensos conflitos que serão tramados sem exceção pelos coletivos irados e pelas ‘civilizações’ ofendidas.” [p. 42-43]

“Os líderes da revolução russa e da revolução chinesa estavam completamente equivocados quando se reportaram a teorias marxistas. Esses dois empreendimentos políticos representaram amálgamas construídos a partir de um fundamentalismo político e de um oportunismo belicoso, amálgamas por meio dos quais se perdeu todo o sentido para o sucesso econômico, a evolução e a ordem. Enquanto, de acordo com os textos-base de Marx, a situação pós-capitalista só podia ser representada como o fruto maduro do capitalismo desenvolvido ‘até o fim’, Lenin e Mao descobriram a chave para o sucesso a partir do princípio da exploração terrorista de relações imaturas.” [p. 48-49]

“É somente quando as energias discretas são investidas em grandes projetos superiores, e quando diretores visionários, suficientemente calmos e diabólicos, cuidam da administração das fortunas coletivas de ira, que pode surgir uma central energética a partir dos muitos focos isolados de fogo, uma central que fornece energia para ações coordenadas até alcançar o nível da ‘política mundial’.” [p. 88]

“Quem trabalha como revolucionário profissional, ou seja, como funcionário de um banco de ira, não expressa as suas próprias tensões. Ao contrário, ele segue um plano. Esse fato pressupõe a plena subordinação dos afetos revoltosos à estratégia empreendedora.” [p. 88]

“De fato, para a história maior do militantismo, o século II a.C. precisa ser visto como uma era-chave, porque desde aquela época o espírito da insatisfação radical com as relações existentes se encontra diante de uma escolha que permanece por princípio a mesma. Desde esse tempo, que funciona como um eixo, os homens irados dispõem de uma alternativa epocal entre a opção macabeica e a opção apocalíptica, em suma: entre o levante secular anti-imperial e a esperança religiosa ou pararreligiosa de um ocaso conjunto dos sistemas — uma alternativa à qual os modernos não acrescentaram senão um terceiro valor, com certeza decisivo: o valor da superação reformista, interpretada com vistas a espaços de tempo medianos, de inconvenientes crescidos historicamente por meio da aplicação de procedimentos democrático-liberais.” [p. 124]

“O segredo do management da revolução russa consistia em encontrar as quantidades de ira que faltavam por meio de créditos compulsivos. Geraram-se consequentemente enormes quantidades de medo explorável — em conjunção com a prontidão extorquida para fingir apoio aos projetos da política revolucionária da ira. Neste ponto, as analogias entre a política de redenção católica e o evangelismo comunista são impressionantes.” [p. 206]

“A cobiça designa o revestimento afetivo da suposição ontológica de que seria possível manter uma assimetria duradoura entre dar e receber. Se num jogador o receber se sobrepõe a longo prazo, fala-se simplesmente de seu sucesso. De acordo com a compreensão habitual, o sucesso significaria um fenômeno de super-remuneração — que, de resto, não raramente traz consigo a tendência para a repetição do improvável. Super-remunerações estabilizadas geram em seus receptores pretensões de status com uma tendência elitista. Super-remunerações crônicas desenvolvem com uma frequência acima da média o talento para considerar os seus prêmios como um tributo apropriado por sua realização [...].” [p. 259-260]

“Consequentemente, o mercado da aparência é elevado ao nível do mercado de todos os mercados — nele, objetos potenciais do desejo são transformados por meio da droga da super-remuneração em sujeitos de cobiça. É fácil compreender por que a última tensão de classes no capitalismo será entre os super-remunerados e os normal ou precariamente pagos. Exige um pouco mais compreender por que essa tensão é mais ou menos equivalente à oposição entre os beautiful people e as pessoas com rostos que não rendem nada. Se quisermos definir a significação da palavra ‘povo’ no capitalismo avançado, nos depararemos com a massa daqueles que permanecem excluídos da super-remuneração.” [p. 260]

“Mesmo a xenofobia das direitas é apenas uma das boas formas do plasma misantrópico. Não podemos visualizar esse fato como tal enquanto ele continuar se apresentando em cunhagens concretamente endereçáveis, que são eo ipso o seu pseudônimo, os seus guarda-roupas ideológicos. Quem se escandaliza apenas com os trajes políticos e ideológicos da náusea pelo social perde de vista a mensagem misantrópica enquanto tal. É característico da crítica usual à hostilidade contra os estrangeiros feita pelos representantes da maioria liberal-filantrópica o fato de as pessoas colocarem a si mesmas em segurança, anunciando em alto e bom som a sua estranheza com a estranheza dos outros.” [p. 275]

“A segunda atração do Islã político parte do fato de — tal como antes dele só aconteceu com o comunismo — ele conseguir oferecer aos seus sequazes uma ‘imagem de mundo’ abrangente, acentuadamente combativa e grandiosamente teatral que repousa sobre uma rígida distinção entre amigo e inimigo, entre uma missão de vitória inconfundível e uma visão final utópica embriagante: a reinstauração do emirado mundial, que deveria fornecer ao milênio islâmico uma terra natal global, de Andaluzia até o leste distante. Com isso, a figura do inimigo de classe é substituída pela figura do inimigo de fé e a figura da luta de classes pela figura da guerra santa — sob a manutenção do esquema dualista da guerra dos princípios, de uma guerra inevitavelmente longa e cheia de sacrifícios, em cujo último combate, tal como é usual, o partido do bem é conclamado a vencer.” [p. 286]

“A seguinte compreensão precisa ser retida como um axioma: na situação globalizada, não é mais possível de forma geral nenhuma política do equilíbrio do sofrimento que se construa sobre o rancor em face de uma injustiça passada, quaisquer que sejam as dissimulações mundial-redentoras, social-messiânicas ou democrático-messiânicas com as quais ela se apresente. Esse conhecimento estabelece limites estreitos para a produtividade moral de movimentos repreensivos, mesmo que eles entrem em cena — tal como o socialismo, o feminismo e o pós-colonialismo — a favor de uma causa em si respectivamente respeitável. Muito mais importante é agora deslegitimar a aliança fatal há muito venerada entre inteligência e ressentimento, a fim de criar paradigmas prenhes de futuro marcados por uma sabedoria de vida desenvenenada.” [p. 298]

Sobre o autor

Nascido em Karlsruhe em 1947, Peter Sloterdijk estudou filosofia, germanística e história em Munique e Hamburgo. É considerado um dos mais importantes renovadores do pensamento filosófico da atualidade pelo menos desde a publicação de Kritik der zynischen Vernunft [Crítica da razão cínica], que alcançou sucesso imediato, tornando-se o mais vendido livro de filosofia na Alemanha no último meio século. Notabilizou-se por defender o retorno a um maior rigor filosófico e, em bom iconoclasta, posiciona-se contra os nivelamentos por baixo reinantes na academia e na vida pública.

Além das obras editadas no Brasil — A árvore mágica. O surgimento da psicanálise no ano de 1785, tentativa épica com relação à filosofia da psicologia (Casa Maria Editorial, 1988), Mobilização copernicana e desarmamento ptolomaico (Tempo Brasileiro, 1992), No mesmo barco. Ensaio sobre a hiperpolítica (Estação Liberdade, 1999), Regras para o parque humano. Uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo. (Estação Liberdade, 2000) —, publicou ainda, de uma extensa lista: Der Denker auf der Bühne – Nietzsches Materialismus [O pensador no palco – O materialismo de Nietzsche], 1986; Weltfremdheit [Desassossego do mundo], 1993; Der starke Grund, zusammen zu sein. Erinnerungen an die Erfindung des Volkes [O grande motivo de estarmos juntos: anotações sobre a descoberta do povo], 1998; Luftbeben: An den Quellen des Terrors, [Aeromotos: Nas fontes do terror], 2002.

Tem-se dedicando nos últimos anos a sua monumental trilogia Sphären [Esferas], onde aborda a relação umbilical do homem com seu meio ambiente, e cujo primeiro volume foi publicado na Alemanha em 1998. Paralelamente, vem estabelecendo uma nova correlação entre os pensamentos a priori quase antagônicos de Nietzsche e Heidegger.

Leciona na Universidade de Viena e na Escola Superior de Artes Aplicadas de Karlsruhe, cuja reitoria assumiu em 1999. Dirige também o programa Quarteto filosófico na cadeia de televisão estatal alemã ZDF.

Dados Técnicos
Peso: 809g
ISBN: 9788574481951
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