Medeia, livro de Eurípides

Medeia

editora: EDITORA 34
Tradução de Trajano Vieira

Tendo por base um antigo mito grego, a Medeia de Eurípides (c. 480-406 a.C.) narra a vingança da altiva Medeia contra Jasão, depois que este — após ter conquistado o Velo de Ouro com sua ajuda — a rejeita para desposar a filha do rei de Corinto. Encenada pela primeira vez em 431 a.C., no concurso teatral das Grandes Dionísias em Atenas, a peça obteve apenas o terceiro e último lugar.

Tal resultado refletia não uma suposta inferioridade da tragédia, mas a incompreensão do público diante de um autor que constantemente subverteu forma e c... [Leia mais]
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Descrição
Tradução de Trajano Vieira

Tendo por base um antigo mito grego, a Medeia de Eurípides (c. 480-406 a.C.) narra a vingança da altiva Medeia contra Jasão, depois que este — após ter conquistado o Velo de Ouro com sua ajuda — a rejeita para desposar a filha do rei de Corinto. Encenada pela primeira vez em 431 a.C., no concurso teatral das Grandes Dionísias em Atenas, a peça obteve apenas o terceiro e último lugar.

Tal resultado refletia não uma suposta inferioridade da tragédia, mas a incompreensão do público diante de um autor que constantemente subverteu forma e conteúdo tradicionais da poesia trágica. A posteridade, no entanto, soube enxergar nesse elemento subversivo um forte aspecto de modernidade: ao deslocar o foco do coletivo para o individual, introduzindo aí os motivos da psicologia humana e dando relevo inédito às personagens femininas, a obra de Eurípides se tornaria um dos pilares da dramaturgia moderna — e a figura de Medeia, uma das mais marcantes de toda a literatura.

O famoso texto de Eurípides - que inspirou numerosas obras, em diferentes épocas, de Sêneca a Pier Paolo Pasolini, passando por Chaucer, Corneille, Jean Anouilh, Heiner Müller, Lars von Trier, Christa Wolf e, entre nós, Chico Buarque e Paulo Pontes, com a peça Gota d'água (1975) — chega agora ao leitor brasileiro em edição bilíngue na apurada tradução de Trajano Vieira, que procurou captar todos os ritmos, as nuances e os traços de modernidade estilística do original.

Sobre o autor

Um dos três grandes autores trágicos gregos, ao lado de Ésquilo e Sófocles, Eurípides nasceu por volta de 480 a.C. na ilha de Salamina, filho de um proprietário de terras. Sua estreia num concurso teatral ocorreu em 455 a.C. Obteve poucas vitórias (apenas quatro primeiros prêmios, sendo o mais antigo, de 441 a.C., aos quarenta anos de idade), fato normalmente evocado para justificar o exílio voluntário na Macedônia em 408 a.C., onde veio a falecer dois anos depois. Das 93 peças que tradicionalmente lhe são atribuídas, chegaram até nós dezoito, oito das quais datadas com precisão: Alceste (438 a.C.), Medeia (431 a.C.), Hipólito (428 a.C.), As troianas (415 a.C.), Helena (412 a.C.), Orestes (408 a.C.), Ifigênia em Áulis e As bacantes (405 a.C.). Suas últimas peças, Ifigênia em Áulis, Alcméon em Corinto e As bacantes, compostas na Macedônia, foram representadas postumamente em Atenas.

Sobre o tradutor

Trajano Vieira é doutor em Literatura Grega pela Universidade de São Paulo (1993), com pós-doutorado pela Universidade de Chicago (2006). Foi bolsista da Fundação Guggenheim (2001) e desde 1989 leciona Língua e Literatura Grega no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, onde obteve o título de livre-docente em 2008. Tem orientado pesquisas em diversas áreas dos estudos clássicos, sobretudo na tradução de textos fundamentais da cultura helênica.

Além de colaborar, como organizador, na tradução realizada por Haroldo de Campos da Ilíada, de Homero (2001), tem vertido grandes peças do repertório grego, como Prometeu Prisioneiro, de Ésquilo; As Bacantes, de Eurípides (2003) e Ájax, Édipo Rei (2001) e Édipo em Colono (2005), de Sófocles. Trajano é também o tradutor de Xenofanias: releitura de Xenófanes (2006) e Konstantinos Kaváfis: 60 poemas (2007).

Sua versão do Agamêmnon, de Ésquilo (2007), recebeu o Prêmio Jabuti de Tradução.

Dados Técnicos
Peso: 250g
ISBN: 9788573264494