Descrição
Por trás do fracasso israelense de 7 de outubro, está uma combinação de arrogância hi-tech, calcada na crença de que o aparato de vigilância é impenetrável, com uma cegueira fatal das agências de inteligência diante dos claros sinais de que o Hamas preparava um ataque em grande escala. O fato de Tel Aviv ter sitiado Gaza com um conjunto de cercas, drones e aparelhos de escuta sempre se amparou na ideia delirante de que, cedo ou tarde, os palestinos se conformariam com seu próprio aprisionamento. […] Nada disso impede Israel de testar novos armamentos durante sua campanha de terra-arrasada contra Gaza depois do 7 de outubro. As ferramentas de guerra foram orgulhosamente exibidas nas redes sociais, tanto para o público doméstico quanto internacional — e, claro, a potenciais compradores globais. Israel usou armas guiadas por inteligência artificial para atingir alvos não militares com uma ferocidade nunca antes vista. É uma “fábrica de assassinato em massa”, como definiu um oficial da inteligência israelense. Esse é o modus operandi do Laboratório Palestina. […] A Elbit, principal empresa de defesa do país, já anunciou um “considerável aumento da demanda”. Feiras globais de armamentos em Singapura e Paris estiveram abarrotadas de israelenses promovendo armas, drones assassinos e aparatos tecnológicos de vigilância já “testados em batalha” na Faixa de Gaza. Sem dúvida, os instrumentos de morte utilizados tão impiedosamente em Gaza logo figurarão em outras zonas de conflito.
— Antony Loewenstein, no Prefácio à edição brasileira
***
Israel desenvolveu um setor armamentista de categoria internacional, graças à conveniência de poder utilizar equipamentos em territórios palestinos ocupados para depois vendê-los como “testados em batalha”. Graças à marca IDF [Israel Defense Forces], empresas de segurança israelenses figuram entre as mais bem-sucedidas do mundo. O Laboratório Palestina é um tradicional ponto de venda israelense. […] Essa vantagem vem sendo construída há muito tempo. Em Pobre nação, relato seminal do jornalista Robert Fisk sobre a guerra civil libanesa, fica claro que o manual militar e retórico israelense estava sendo desenvolvido no início da década de 1980, quando o país invadiu e ocupou o Líbano de forma desastrosa. Já naquela época, os israelenses usavam o termo “precisão cirúrgica” para descrever os ataques de sua força aérea. O saldo de incontáveis civis libaneses inocentes assassinados nos bombardeios testemunha a falácia do termo. No entanto, como mostro neste livro, o fracasso militar no Líbano não impediu que Israel usasse a guerra como vitrine de armamentos e táticas. Sua propaganda ofereceu um atraente elixir às nações que compraram a ilusão de que o Estado judeu poderia ajudá-las com seus próprios problemas internos. Isso não era de todo uma mentira, mas o imenso custo humano nunca foi considerado na equação.
— Antony Loewenstein, na Introdução
Tradução de Gabriel Rocha Gaspar
Posição #1496 na lista de mais vendidos da Livraria 30porcento.
Dados Técnicos
Páginas: 356
Peso: 430g
ISBN: 9786560080577