Uma noite em cinco atos, livro de Alberto Martins

Uma noite em cinco atos


editora: EDITORA 34
assunto:
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Descrição
Novo livro do escritor e artista plástico Alberto Martins, Uma noite em cinco atos é uma peça de ficção passada em São Paulo, onde três personagens — os poetas Álvares de Azevedo (1831-1852), Mário de Andrade (1893-1945) e José Paulo Paes (1926-1998) — discutem os destinos da poesia e da cidade no século XXI.

As gravuras reproduzidas neste livro são de autoria de Evandro Carlos Jardim e foram fotografadas por João Musa, que gentilmente cedeu os arquivos digitais.

Se você é vestibulando da UFG, encontre aqui o resumo do livro Uma noite em cinco atos publicado no jornal O Popular:

Uma dramática jornada noite adentro, por Newton Murce.

Uma das características do texto teatral é o fato de que, em meio a uma dada condição de equilíbrio, algum evento acontece que coloca essa aparente quietude em movimento. No texto Uma Noite em Cinco Atos, do escritor e artista plástico Alberto Martins, esse acontecimento se dá quando o personagem Zé Paulo – inspirado no poeta José Paulo Paes (1926-1998) – convoca o personagem Álvares, inspirado no poeta Álvares de Azevedo (1831-1852), para a seguinte ação: “Álvares, o século XXI o chama para uma tarefa... (O rapaz larga a pena. Firma o olhar) Que você escreva o seu poema no século XXI.” Com essa intrusão, inicia-se uma dramática jornada noite adentro pela cidade de São Paulo em busca de algo importante. Um terceiro poeta é chamado em auxílio, Mário, personagem inspirado no poeta Mário de Andrade (1893-1945). É interessante notar que a temática do trânsito pela cidade cosmopolita é uma questão cara para Martins, que publicara em 2010 o livro de poemas Em Trânsito, resultado de suas observações entre as ruas de São Paulo.

A jornada, tal como se estrutura textualmente, eleva o qualificativo “dramática” a sua máxima potência, até mesmo em algumas rubricas, como se vê no exemplo acima e no que vem em seguida: “O rapaz volta-se inteiramente para o interlocutor. O rosto perdeu o ar mortiço. Ergue-se. Dá uns passos pela sala.” Ou seja, além das falas dos personagens, com vigorosos embates de posições, as rubricas também fornecem elementos fundamentais para a composição das cenas quando eventualmente levadas a um palco de fato. É como se o texto exigisse o tempo todo a presença da cena, de atores e de espectadores.

A dramaticidade do texto é potencializada também nos diálogos ágeis, concisos, inteligentes, nas pausas, nos silêncios. Os elementos significantes não são “dados” de maneira evidente ao leitor, mas sim revelados, aos poucos, como pistas, como precipitações que vão estabelecendo a tensão dramática, o desenrolar das ações. Esse movimento dramático estabelece um ritmo que provoca o tempo todo no leitor a pergunta: o que está para acontecer? Dentre as pistas que envolvem o leitor, garantindo sua atenção interessada e a tensão do texto, algumas se destacam: a repetição da questão do problema com a água; a insistência na fala de Zé Paulo de que precisamos da ajuda de Álvares, e a incógnita imposta pela questão: “o que pode haver de mais importante?”

A pergunta “o que está para acontecer?” se junta a outras que o leitor se faz e que são efeitos de poesia. Poesia presente em frases enigmáticas que convocam o corpo do leitor para participar da cena. A poesia também se revela no cruzamento de efeitos de sentido aparentemente paradoxais, mas que são próprios dela, próprios da linguagem, como, por exemplo, quando se admite que poesia é veneno e remédio, ao mesmo tempo: “ZÉ PAULO: [...] passei o resto da vida fabricando pequenos venenos [...]. ÁLVARES: Recita-me um de teus venenos. ZÉ PAULO: Não sei recitar [...]. Pra mim o poema é como medicina, só uso quando necessário.” Ou, noutro exemplo, quando se lembra que a poesia, como toda obra de arte, não tem que “servir” para alguma coisa, isto é, ela não tem que ter valor utilitário, de consumo. No entanto, ela pode sim ser “usada”, porém, como fruição, como prazer: “ÁLVARES: Para a poesia, o infinito e... os fármacos? ZÉ PAULO: Isso. ÁLVARES: Você ainda os usa? ZÉ PAULO: Só a primeira. Sempre, cada vez mais – sem distinção de época, língua, crença...”.

A poesia também comparece nos efeitos de surpresa, de equívoco, de contradição, de humor: “ÁLVARES: Quem me garante que não é uma farsa? ZÉ PAULO: Ninguém. ÁLVARES: Então vamos.” O humor, sempre poético, muitas vezes aparece por meio de jogos de linguagem, de sons, de trocadilhos, artifícios predominantemente sonoros que, ao lado da “sinfonia do século”, dos silêncios e das pausas entre as ações, colaboram para a composição de um ritmo vigoroso no texto.

É bastante instigante no texto de Martins a leitura que se pode fazer de uma conexão entre os termos: noite, escuridão, morte e criação, isto é, a produção do novo. Essa leitura é produzida ao longo de todo o texto, desde a atmosfera que permeia os encontros entre os personagens, a própria jornada que realizam pela cidade, até o clímax, quando eles se veem diante das fábricas “que guardam a noite” e das “fontes imemoriais (as águas escuras)” que prometem a possibilidade de haver ainda algum resto – ou rastro – de poesia, “alguma dor não contaminada”, alguma poesia que não escapasse.

Vale a pena fazer uma ligação dessa conexão entre noite, escuridão, morte e criação com a teoria psicanalítica, segundo a qual o “campo” da criação, da produção do novo, diz respeito ao registro do “real”, conforme elaborado pelo psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981). Não se trata da realidade tal como a visualizamos imaginariamente ou que interpretamos simbolicamente por meio da linguagem. Trata-se de um registro que está “fora” da linguagem, mas que é produto dela mesma, que não consegue nomear ou dizer tudo.

É o campo que concerne ao que escapa ao dizer, a um certo impossível de simbolizar e, por isso mesmo, remetido à morte. Porque sobre a morte não há um dizer que possa dar conta do que ela significa. Por mais que se tente simbolizá-la, será sempre um dizer incompleto. Esse campo é também o campo da dor. Afinal, o que pode ser dito sobre a dor que dê conta do que realmente a dor significa? O real, então, que compõe um “fora” da linguagem, mas que só pode ser “acessado” por ela, é esse registro a partir do qual se pode criar o novo, o jamais dito, o antes nunca escrito. É desse campo que se cria a arte, que se cria a poesia. Nesse sentido, o texto de Martins é instigante, por permitir a conexão entre noite, escuridão, morte e criação, associando-as à possibilidade de se buscar, de cavar, de encontrar ou de escrever a mais pura poesia, de escrever uma dor não contaminada, ainda que haja um certo impossível em jogo aí.

Pode haver um impossível, mas é o que se busca. Se não podemos encontrar a mais pura poesia, a mais pura obra de arte, a mais pura dor não contaminada pelo humano, ao menos podemos bordejá-las, podemos ser afetados por elas, tocados, ainda que inconscientemente. E é só assim que podemos nos espantar, tal como uma criança que descobre o mundo, só assim podemos nos arrebatar, mobilizar, mudar como sujeitos. E só assim podemos mudar nossa história singular, de cada um. E só assim mudamos a história.

E voltando à pergunta de Álvares, o que pode haver de mais importante, afinal? Sem desconsiderar questões fundamentais, evidentemente, como o problema das grandes cidades, por exemplo, da falta de água, da poluição, etc., a questão de suma importância levantada pelo texto, na atualidade, é a poesia. Ou melhor, a falta da poesia. Ou ainda, a falta da Poesia, uma vez que não se trata de qualquer poesia, mas de uma poesia que está por ser escrita, uma poesia que é preciso ser cavada, buscada como matéria bruta, um pouco como faz o personagem Grivo na novela Cara-de-Bronze, de Guimarães Rosa. Poesia que ainda não foi dita. Afinal, o que faz a Poesia senão bordejar o indizível?

Newton Murce é ator, professor do Cepae/UFG e doutor em Linguística pela Unicamp. Publicou os livros Corpoiesis: a Criação do Ator, Haja Fôlego!: Diferente Igual a Todo Mundo e Viagens
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