De Orfeu e de Perséfone – Morte e Literatura, livro de Lélia Parreira Duarte (org.)

De Orfeu e de Perséfone – Morte e Literatura


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Descrição
O nome de Perséfone é derivado por alguns autores de pherein phonon, "trazer" ou "causar a morte". Mas existe outra aproximação semântica possível: em etrusco, phersu significa a pessoa que porta uma máscara (originalmente em rituais fúnebres). Daí vem o termo latino persona, ou seja, o personagem dramático com sua máscara. Perséfone, via phersu, também tem sido aproximada de persona. Ela é ora caracterizada por sua extrema e irresistível beleza, ora como terrível, pavorosa (epainé). Como esposa de Hades, ela é a temida rainha do mundo dos mortos. Já as figuras de Orfeu e do Dionísio-Za greu, que são identificadas em Nietzsche, remetem ao amorfo (não-apolíneo), à natureza selvagem que destrói e renasce de dentro do homem. O renascimento de Dionísio/Orfeu simbolizaria justamente a superação do princípio de individuação, a dor que está na origem da individuação e que a tragédia curaria. Desde Nietzsche aprendemos a ver a arte como a volta do dionisíaco do seu exílio; ou ainda, como a vingança de Orfeu que havia sido despedaçado, como lemos nas Sátiras de Horácio: eis o novo contexto das representações da dor nas artes, no qual prazer e morte, Eros e Tânatos, misturam-se. Orfeu é a própria poesia como desmedida, a fundação do que chamamos hoje de estético. Mas também é verdade que a relação tensa de Perséfone com a beleza e com a morte, seu natural "jogo de máscaras", sua vida que alterna entre o Hades e a primavera na terra, tudo isso faz dessa figura mítica uma das mais potentes metáforas para expressar os jogos de máscara da própria Literatura. Lembrando que em grego prosopon é face e máscara, podemos dizer que a literatura é também uma máscara da morte: prosopopéia, personificação do "indizível", onde um personagem (ou alguém em vista já da sua morte) é vivificado como uma pessoa real. Ulisses, na Odisséia, visita o reino escuro de Perséfone e sai de lá tomado de medo com a possibilidade de encontrar a Górgona: máscara de Perséfone, que ela utiliza para evitar a entrada dos vivos naquele local. A literatura é um poderoso canal que nos liga ao mundo da morte - e dos mortos. Ela encena a memória dos mortos, assim como a violência pretérita e presente. Toda essa ambigüidade de Perséfone explica porque o grupo de pesquisas que deu origem a este volume, de modo absolutamente preciso, elegeu como seu mote “os cantos de Orfeu e as máscaras de Perséfone”. Este livro procura estudar a relação entre morte e literatura em produções portuguesas e brasileiras contemporâneas. Seus ensaios tratam de autores e obras que, como Homero, tentaram penetrar e apresentar a morte e suas adjacências geográficas e simbólicas. Assim, obras de António Lobo Antunes, Guimarães Rosa, Maria Judite de Carvalho, Ruy Belo, Augusto de Campos, mas também de Kafka, entre outros autores, são analisadas do "ponto de vista de Orfeu e de Perséfone". A pluralidade e riqueza das análises aqui empreendidas aporta uma importante contribuição para os estudos literários. - Márcio Seligmann-Silva

Dados Técnicos
Peso: 534g
ISBN: 9788574803968
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Resenhas
resenha:  Rumor silencioso, por Patricia Peterle [jornal rascunho]




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